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| Mike Leigh, diretor de teatro e cineasta |
É sempre um mistério o processo de criação de um filme de
Mike Leigh. Ao contrário da maioria dos diretores, que desenvolve o roteiro e só depois pensa no intérprete, Leigh segue o percurso rigorosamente inverso. Ele escolhe o ator, ou atriz, define o personagem e faz uma espécie de laboratório, criando as situações e até diálogos com o elenco. A improvisação é consolidada no roteiro escrito, que vira bíblia no set de filmagem, raramente sendo trocado (uma palavra que seja). Como se dá esse processo? "É muito complicado, levaria muito tempo para explicar", desconversa o diretor. O conflito entre Poppy e Scott, por exemplo, não estava na origem do filme. Surgiu depois. "Você precisa explorar e desenvolver os personagens. Uma ideia dessas não pode estar no conceito do filme, porque só depois de trabalhar muito os personagens você pode chegar ao drama. É como a vida. Você precisa viver para se comprometer e, eventualmente, errar e acertar."
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| Premiação em Cannes em 2010 pelo fime Another Year |
O caso de Simplesmente Feliz ainda parece mais radical porque nunca, como aqui, a história de um filme de Mike Leigh pareceu tão episódica. É como se não houvesse realmente uma história, mas uma sucessão de vinhetas traçando o retrato de Poppy e seu mundo. Por mais que o diretor queira ser reticente, o repórter insiste no ?como?. Leigh explica - "O ponto de partida é essencial. Reúno pessoas talentosas e juntos criamos personagens, situações e diálogos. O universo do filme ganha vida por meio de um processo criativo que não tem uma duração. Em alguns filmes esse processo demora mais. Minha função é guiar a equipe e ir desenhando a narrativa numa linha que me estimule como diretor." O longo período entre
Vera Drake e Simplesmente Feliz tem a ver com dificuldades particulares no processo de criação do novo filme? "Não, porque não consigo fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Logo depois de
Vera Drake desenvolvi um projeto para teatro que me tomou um bom período. Esta peça, inclusive, foi montada no Brasil (A Festa de Abigaiu)." Mike Leigh faz uma ressalva importante - essa descrição ?genérica? do processo pode dar uma idéia equivocada de como ele cria. "O princípio básico é que só eu tenho o conhecimento integral do filme. Cada ator conhece o seu personagem, como na vida, onde cada um conhece o seu script e, às vezes, nem este." Mike Leigh fala muito em vida, compara seu cinema à vida. "É o que me interessa, a realidade. Minha maneira de encarar o cinema é propondo aos atores e aos espectadores que participem de uma jornada de conhecimento comigo."
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090327/not_imp345542,0.php
Simplesmente Feliz (2009)
Vera Drake (2004)
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