Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona e a Petrobras lançam no cinema (e em cinco DVDs) a versão cinematográfica de Os Sertões, épico de Euclides da Cunha adaptado para o teatro pela Cia. Oficina sob a direção de José Celso Martinez Corrêa. A maratona de lançamento com os cinco filmes – A Terra, O Homem I, O Homem II, A Luta I e A Luta II.
Com direção geral do próprio Zé Celso, os cinco filmes são assinados por diretores distintos, que entre fevereiro e março de 2007 se revezaram para mesclar teatro e cinema na busca de uma formatação híbrida que traduzisse para as telas a “TragyComedyOrgya” que vem caracterizando a produção do Teatro Oficina. Sendo assim, Tommy Pietra (A Terra), Fernando Coimbra (O Homem I), Marcelo Drummond e Gabriel Fernandes (O Homem II), Elaine César (A Luta I) e Eryk Rocha e Pedro Paulo Rocha (A Luta II) levam para o formato HD (com som dolby 5.1) suas (trans)versões autorais da premiada obra teatral do Oficina, aprofundando a busca do grupo por uma linguagem que quebre a barreira da mera encenação e integre as artes cênicas a música, ao vídeo e ao cinema.
Câmeras diretores – Das 810 horas de material bruto, o resultado final contempla cerca de 26 horas de filme e mais extras, com os bastidores do projeto. Cada peça foi gravada na sede do Teatro Oficina no bairro do Bixiga, em São Paulo, e contou com um diretor de fotografia diferente. Todas as 11 câmeras utilizadas foram móveis, auxiliadas por uma grua (disposta na última galeria do teatro) e pela participação de um stead cam e uma flying cam, dando ao espectador a sensação de participar da cena. “Oito câmeras eram manipuladas por diretores de cinema ou diretores de fotografia”, lembra o ator e cineasta Lucas Weglinsky, que também assina a produção executiva do projeto.
Para ele, a excelência técnica alcançada pelos cinco filmes coloca a pesquisa da Cia. Oficina em outro patamar. “O resultado superou as expectativas e mostra que as diversas linguagens são ferramentas através das quais podemos assumir novas possibilidades de arte; com os cinco filmes fazemos uma trans-versão, ou seja, uma nova versão da obra teatral, que já era uma trans-versão da obra de Euclides da Cunha”. Sendo assim o público do cinema não verá a versão filmada das peças, mas uma obra com uma linguagem cinematográfica própria, que cria um percurso do olhar filtrado tanto pelos seus diretores, quanto pelas centenas de colaboradores do processo criativo das cinco peças teatrais encenadas entre 2002 e 2007 pela Cia. Oficina, sob a direção de Zé Celso.Zé Celso comenta o resultado dos filmes:
“A filmagem da obra Os Sertões de uma maneira nova, sem câmeras fixas, transforma os filmes em caleidoscópios, com visões, ângulos e diversidade que nem o teatro ao vivo, nem a TV, nem o cinema conseguem”. Para o diretor Zé Celso, essa experiência amplia o diálogo que a Cia Oficina vem desenvolvendo com a linguagem audiovisual e a internet. “Ela traz ao teatro e ao cinema novas perspectivas!”, afirma, lembrando que a luz, as câmeras, os atores, os microfones e o público reescrevem nos filmes a obra prima de Euclides da Cunha. E como não poderia deixar de ser, o público aparece no resultado final como personagem fundamental, reforçando a idéia de uma arte ativa e participativa, em que a possibilidade de interferência de cada um é sempre valorizada – e incentivada.
“Essas obras superam os DVDs já filmados por nós, não somente pela extraordinária evolução do Cinema Digital, mas pela intuição dos diretores que cortaram as peças sem interromper o fluxo da ação teatral, o que as tornou extraordinárias e, paradoxalmente, absolutamente cinematográficas. Uma revolução mesmo na linguagem do Cinema”. Zé Celso lembra que ao montar os DVDs das peças Ham-let, Bacantes, Boca de Ouro e Cacilda!, optou por cortar a ação teatral para dar agilidade de cinema. “Estas montagens de Os Sertões dão um salto, superam minha ingenuidade de montador e revelam um objeto digital desconhecido em formas de obras realmente primas. Fui absolutamente superado como montador”, conclui.
Início do filme de A Terra, dirigido por José Celso Martinez Correa e Tommy Della Pietra:







